Por dentro do elevador

Esta é uma prévia do filme em 360° que ainda está na mesa de montagem, recebendo os retoques finais.

A cena mostra a chegada dos personagens ao elevador e termina no primeiro grito…  em breve (muito breve) no dispositivo de sua preferência, inclusive óculos RV, que vai lhe dar outra experiência ao assistir.

A seguir uma descrição de todo o processo de criação…

[toggle title=”Inspiração e homenagem”]

Foram muitas as pessoas que apoiaram este projeto, a começar por uma amiga querida, que estava presente na inspiração inicial, pois foi em uma conversa no Facebook, com a Renata Barros, que surgiu a ideia de fazer o filme, ela também trabalha com imagens 360° e sua empresa, a Midia 5D, atua em assessoria de imprensa. Foi ter a ideia e a Renatinha já estava “dentro”.

Isso aconteceu mais ou menos perto do Natal de 2016, um ano que será lembrado mais pelas coisas que nos tirou do que as que nos trouxe.

Quando comecei a pensar em um roteiro surgiu primeiro a ideia de filmar dentro de um elevador e posteriormente que fosse uma história de Natal, veio então o desejo de fazer algo compartilhado com os internautas e depois que fosse transformado em uma espécie de tutorial, ensinando outras pessoas a fazer o mesmo.

Como a época de festas não é muito propícia a fazer este tipo de trabalho e também porque não queria ter que esperar até “depois do Carnaval”, como é um triste costume em nosso país, me impus um prazo de 20 dias para fazer todo o projeto e este prazo começou a contar em 02 de Janeiro de 2017, que também ninguém é de ferro de começar a trabalhar num domingo e ainda por cima feriado de ano novo.

Bingo! Exatamente no dia 20 de Janeiro foram feitas as filmagens, dentro do prazo previsto, embora ainda existam o processo de edição e preparação de todo o material de making of, para fazer o tutorial, mas isto já é outro projeto, a proposta de fazer o filme foi cumprida… com um dia de lambuja.

Não foi nada fácil, e muito embora as estrelas tenham dado uma enorme força para este projeto, aconteceram algumas coisas bem ruins, especialmente com a Renatinha e sua irmã (sócia na Midia 5D) pois durante este período ambas estavam as voltas com problemas de saúde com a dona Lurdes Barros, sua mãe, que contava com 81 anos e infelizmente nos deixou justo no dia em que as filmagens seriam feitas, aniversário do Rio de Janeiro e dia de São Sebastião. Uma data a ser lembrada mais pela perda do que pela realização do filme. Mas certamente o espírito da dona Lurdes estava lá com a gente pois deu tudo tão certo que custo a crer que conseguimos fazer tudo sem falhas e no maior alto astral, a prova disto é este vídeo (também em 360°) mostrando nossa equipe após mais de 4 horas de filmagem sem interrupções.

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[toggle title=”Patrocínio”]

Nosso único patrocinador foi a Escolinha Pernalonga, da qual minha esposa Gisela é a diretora… nem sei porque, mas ela apoia todos meus trabalhos e quando falei deste projeto – assim logo no início do ano – entrou nele de corpo, alma e também alguns trocados, que foram o único recurso financeiro para esta produção, bem ao estilo: “produção com recursos financeiros severamente limitados”.

Claro que procurei outros possíveis patrocinadores, desde a empresa que faz manutenção do elevador em que filmamos até o clássico crowndfunding, que  foi um fracasso total, mas isso já era esperado, afinal em um prazo de 20 dias é praticamente impossível conseguir recursos para qualquer coisa. A empresa dos elevadores até nos deu mais atenção do que esperado, mas 20 dias é sempre um prazo rápido demais para uma grande empresa tomar uma decisão, quem sabe patrocinam a continuação do filme 🙂

O que mais me surpreendeu foi o estado de penúria das empresas que procurei, todas as voltas com impostos e outras pragas que nos assolam todo início de ano, algumas ameaçando fechar, sei bem o que é isso, porque 2016 foi um ano de perdas para a Escolinha Pernalonga, mas não nos entregamos.

E mesmo sendo um ano péssimo, foi o ano em que me propus a criar o Infobirô 360°, empresa dedicada a produção de imagens em 360°, uma tecnologia nem muito nova, mas que está sendo descoberta agora pele mercado brasileiro e este filme tem justamente a função de mostrar o que se pode fazer com esta tecnologia, que inclui visualização diferenciada em computadores, portáteis e especialmente nos óculos de Realidade Virtual, que parecem ser a “bola da vez” em tecnologia para 2017.

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[toggle title=”A Praga do Gordo”]

Um dos personagens do filme é um cara gordo, foi inspirado em mim mesmo, caras gordos costumam ser alegres, brincalhões e não ligam muito para bullying e outras coisas. O “gordo” entrou no filme com a missão de ser sacaneado, ele dá pum, faz piadas horríveis e além de tudo contribui para o desconforto de todos os presentes.

Nosso primeiro “gordo” veio com os atores fornecidos pela CP Models, empresa fantástica de Araraquara, que prepara atores e modelos e vamos falar da empresa mais a frente. Ele compareceu ao primeiro ensaio e estava perfeito no papel, mas trabalha em tantas coisas mais que seria impossível estar presente justo no dia da gravação, então foi indicado outro “gordo” que estaria disponível para a gravação, embora não tenha podido participar dos ensaios.

Não é que no dia o cara baixa no hospital, com dengue. Corre aqui e ali pra procurar outro “gordo” e acaba sobrando só meu cunhado, que aceitou o “sacrifício”, mas quase que também não pode ir, tendo que resolver um problema familiar de última hora, mas assim como tive muita sorte com minha mulher, os cunhados também são de boa safra e ele conseguiu estar presente e mesmo não sendo ator e sendo um cara normalmente bem tímido, se saiu tremendamente bem, especialmente na parte do pum 🙂

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[toggle title=”Estrelas conspirando a favor”]

Quando comecei a pensar nos personagens do filme a primeira pessoa que lembrei foi a Isabela Soares, uma atriz mirim que já havia gravado um comercial para a Escolinha Pernalonga.

Ela foi a primeira personagem a ser criada, seria ela mesma, uma menina de aproximadamente 10 anos, esperta e “sem freios” (como ela mesma se auto definiu, depois). A personagem “mãe da menina” veio naturalmente, afinal não seria algo normal uma criança da idade dela andando sozinha num elevador e  a “mãe” veio com freios, com a característica de ser claustrofóbica, afinal não teria graça nenhuma um filme com pessoas presas num elevador sem alguém gritando.

O bacana é que a Isabela Soares ou melhor dizendo, a Ana Paula Soares, mãe real e que cuida diligentemente de sua carreira, além de topar participar ainda trouxe junto todo um rol de estrelas para ajudar neste projeto.

Começou com a indicação de Edison Vieira, que é a simpatia em pessoa e o responsável pela agência CP Models. Ele “comprou” a ideia logo de cara e me forneceu os melhores atores com quem já tive o prazer de trabalhar.

E não foi só isso, uma das personagens do filme é uma cadeirante, eu fiz questão de colocar este representante das PCD por dois motivos, o primeiro porque tenho uma filha, a Tavane, que é PCD e as vezes cadeirante e sempre que posso, homenageio esta menina, que veio ao mundo pra me ensinar a ser uma pessoa melhor e tem feito isso com muita eficiência. O segundo motivo é que sendo Técnico de Segurança do Trabalho e consciente da falta de atenção que se dá a estas pessoas, quis que estivessem representadas neste filme.

CP Models não tinha nenhum cadeirante e minha intenção inicial não era mesmo usar um ator ou atriz, pois por melhor que fossem não seriam tão bons quanto um cadeirante de verdade, que por pior ator que fosse, interpretaria sua condição da melhor forma.

Acontece que a Ana Paula Soares também conhecia uma cadeirante, a Marina Lima, Fonoaudióloga e um amor de pessoa, que topou fazer o papel e só não é atriz porque não quer, pois tem todos os atributos.

E por tabela ainda veio a referência para o Shopping Jaraguá nos fornecer a permissão para utilizar os elevadores para a locação, o Edison Vieira cuidou de tudo, só tive que ir lá e filmar.

Como se tudo isso não fosse suficiente, ainda nos ajudou nas filmagens, fez diversas fotos de cenas de bastidores e um making of fantástico, usando apenas o celular e nada de reclamar que está na vertical, porque ela fez isso em transmissão ao vivo pelo Facebook, que fica melhor neste formato.

E não dá pra esquecer o incansável bombeiro civil, Everton, que nos apoiou em cada momento e até aceitou fazer uma ponta no fim do filme, quem deveria “salvar” os aprisionados seria eu mesmo, como uma “homenagem” a um mestre do cinema, o Hithcock, que sempre aparecia em seus filmes, mas abri mão de muito bom grado, deste suspeitíssimo papel, para homenagear quem realmente é um heroi anônimo, sempre pronto para ajudar e proteger e o Everton representou muito bem este herói, tanto no filme quanto na vida real, foi nosso legítimo anjo da guarda e eu sei bem o quanto nos foi útil, o Shopping Jaraguá está muito bem servido de funcionários exemplares, pois todos foram muito gentis e solícitos com nossa equipe.

Quando se tem estrelas como estas ao nosso lado, dá para fazer qualquer coisa.

Não tenho como agradecer realmente por tanta boa sorte, mas agradeço e vou me esforçar pra ser merecedor disso.

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Sobre Divino Leitão

Safra de 57, designer, professor, um curioso nato.
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